quinta-feira, 14 de março de 2013

Capítulo sete - A origem da L POP e o ataque das formigas guerreiras



autora: Aline Caetano Begossi

Em casa, Ana Júlia riu da cara dos meninos.
– É BEM PROVADO!!! Não eram os machões?! Agora leva...
Mas, depois de um tempo, até Ana achou chato os meninos não poderem sair de casa. Então sentaram na varanda para conversar. Eles contaram para ela o que haviam presenciado no rio.
– Mas isso é crime. – Ela disse. Essas pessoas não podem matar onças.
– Eu acho que fazem isso para tirar o couro e fazer calçados, cintos, bolsas.
– Que crueldade!
– Não é só isso, Josias. Eu fiquei sabendo que tem fazendeiro que manda matar as onças, porque elas entram nos pastos e matam o gado.
– O Miguel tem razão. Mas não é culpa das onças. Elas estão perdendo o espaço delas na natureza. Invadimos a área delas e não queremos que elas comam! – Ana Júlia já estava indignada.
 – Pior que ninguém quer ouvir a gente... Nem deu pra contar para o pai e o vô.
– Também... vocês abusaram!
– Sem sermão, Ana Júlia! Nem era pra gente estar dando pelota pra você. Meninas sempre estragam tudo! – Miguel estava bravo.
– Vocês não aguentariam ficar sem falar comigo.
– Pior que o Gigio e o João devem ter levado a maior bronca. Tudo por causa da fofoqueira da Cecília.
– Chega de briga, Miguel. A gente tem que solucionar esse mistério.
– Fechado! Tô com o Josias! E você Miguel?
– Vamos investigar o caso. Somos os “Amigos da Onça”.
– Ai, ai, ai... que coisa brega! Só o Miguel pra dar um nome desses... O cara que atirou na onça, esse sim, é um amigo da onça... – Riu Ana.
– Então somos a..., a...
– Tá vendo como vocês precisam da mente feminina? Que falta de criatividade...
– Por que mesmo que a gente aguenta essa menina?
– Porque é parente...
– Bom, vamos ser a L POP – Liga Protetora das Onças do Pantanal!
– Mandou bem!
– Demais! Minha irmã! Puxou para mim...
– Tsc, tsc, tsc... Chega de papo! Assim que vocês saírem do castigo, a gente vai investigar... Tchau que eu vou brincar com a Cecília no pomar.
Ana Júlia foi aproveitar a sua liberdade. O primo, entediado, foi ver TV. 
Na falta de ter o que fazer, Josias foi tratar de inventar algo para fazer. Deitado na rede observou, por muito tempo, as formigas na parede da varanda. Logo viu que elas andavam sempre numa fila e que sempre se encontravam no meio do caminho. Então duas pararam e se encostaram. Pareciam estar conversando. Josias começou a imaginar o papo entre as formigas:
– Oi, como vai? Por que a pressa?
– Ah, estamos todas de mudança. Você não sabe da última?
– Não!
– Sofremos várias catástrofes nesses últimos dias! Dizem que há um gigante por aqui tentando destruir nosso formigueiro. Há muita inundação e vendavais desde a chegada dele na região. Não há mais como viver em paz!
– Qual o nome desse invasor?
– Humanus Josias. Muito perigoso...
– É!!! E para onde vocês vão?
– Vamos para o campo dos azulejos.... É mais seguro. Além do mais, aquela região é conhecida como o paraíso das formigas! Há doces, açúcar e biscoitos, todos feitos por outra gigante, a Humanus Ana. Mas essa não representa perigo para nós! É muito pacífica... Por isso vamos para lá.
 – Cuidado, estamos sendo atacados!!!

Josias levantou, aproximou-se e assoprou forte as pobres formigas. Algumas caíram da parede...
– Normalmente os vendavais vêm seguidos de uma grande inundação!!! Fujam, amigos!!!
Então Josias encheu as mãos de água e despejou um pouco na fileira de formigas que andavam agitadamente na parede e um pouco sobre o formigueiro. Mas elas defenderam-se!

– Vamos, soldados! Somos pequenas, mas somos muitas! Poderosas! Morreremos lutando por nosso formigueiro! Sobrevivência ou morte! ATACAR!
Então a pequenas e valentes formigas subiram no pé do vilão, o Humanus Josias. Atacaram-no, mordendo o seu pé. Josias saiu em disparada e foi enfiar os pés na bacia de água que sua mãe estava usando para fazer as unhas.
Nessa operação, morreram alguns soldados afogados, mas defenderam corajosamente seu formigueiro, que não foi mais perturbado pelo gigante Josias.