segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Capítulo 1: JOSIAS. Pé na cidade, coração no rio.

Autora: Aline Caetano Begossi. 
Ilustrações de Diana Leite Chacon.


Josias





Menino traquino, inquieto, franzino, de sorriso contente e coração corajoso! Com os colegas, um companheirão!



Josias vive na cidade de São Paulo,















no estado de São Paulo, 




no Sudeste do país,


 

mas seu coração mora em outra parte do Brasil...





Acontece que Josias tem um avô, também corajoso, de abraço caloroso, de sorriso amistoso - Bento Maria Paz, um militar “aposentado” do exército brasileiro.
Seu avô mora no Centro-Oeste do Brasil, e o pensamento de Josias voa junto com o vô Bento Maria e nada nas águas do rio Araguaia - que significa “rio das araras, do papagaio manso”.


Do que Josias sente mais saudade, daquelas de doer o peito, é da pescaria com o avô, das tardes comendo na mesa enorme da varanda, com a primaiada toda em volta, os bolos feitos pela avó Ana e do leite tirado da vaca Boneca - tem outro gosto... Até o bife de lá tem outro gosto!
 Sabe por que a vaca se chama boneca?  Porque cada vaca tem seu nome, dado pelos netos, e se faz de conta que cada neto tem sua vaca.
E Josias sente falta das histórias de quando a vó era criança... Esquisito pensar que a vó foi criança... Fora as histórias do vô... Essas, então! Cada uma mais tenebrosa que a outra, cheia de aventuras incríveis no meio da mata.
Das noites sentados em volta da fogueira, assando batata quente enrolada no papel alumínio. Isso é melhor que desenho de TV! À noite, sentado lá fora, vô Bento Maria conta histórias de braveza, de amor, de coragem, de bichos...
Está vendo como o pensamento da gente já voou para lá também? Eu estava falando que Josias mora em São Paulo. Pois é, num apartamento – que “apertamento”! Bem no centro, no meio das buzinas, dos carros, da fumaça, do asfalto, das gentes, no vai-e-vem das avenidas lotadas.
O que mais chateia Josias é que ele ama as matas e principalmente os rios! E ele fica tão triste quando passa de carro nas margens do rio Tietê. É fedido, escuro, poluído! 




A professora falou na aula de ciências que Tietê quer dizer “caudal, volumoso”. Mostrou no mapa o tamanho do rio. Josias aprendeu que o Tietê é um rio importante e que deveria ser respeitado! Nele tem sofá, cadeira, mesa, geladeira, carcaça de automóvel, e dele são retiradas 68 toneladas de lixo e areia todos os meses. No rio tem de tudo, menos peixe, porque não tem oxigênio na água, tamanha a sua poluição!
 E quando chove? É tanto asfalto que a água não tem para onde ir. Então o rio enche, transborda, chega até a marginal. Daí os carros, os caminhões, ônibus não podem passar, e tudo para! É um caos!
Dá para acreditar que alguns anos atrás, no rio Tietê, as pessoas iam pescar, nadar e remar... e que, ainda hoje, para frente de São Paulo, ele é limpinho, cheio de peixes? E para trás de São Paulo também! Um amigo meu viajou para Salesópolis, onde há a primeira nascente do Tietê, a menos de 96 km de Sampa, e disse que a água de lá é tão limpa que eles não resistiram e a beberam!!! Já pensou em beber água do rio Tietê?




Acontece que, ao contrário dos outros rios, ele nasce na Serra do Mar, mas não tem força para subir os picos, então ele atravessa o estado de São Paulo e segue até o rio Paraná, na usina do Jupiá, em Mato Grosso do Sul.




 É um rio grande, bonito de se ver.  Já pensou se o Tietê fosse usado para navegação? Em vez de ir de carro, as pessoas e as coisas poderiam ir de barco... Não iriam gastar combustível, não iriam poluir o ar... Além de ser muito legal andar de barco... 
Barco, rio... e Josias volta a lembrar-se do avô, da mata... Por isso ele não vê a hora de as férias chegarem para seguir de viagem...
Mas São Paulo também tem suas vantagens, ou melhor dizendo, seus encantos...

Josias gosta de ir ao Parque do Ibirapuera 
passear com a sua galera.











Visitar com a professora Inês
a Liberdade, um distrito japonês
que tem umas luminárias legais 
e umas feiras de artigos orientais.








Outro lugar onde ele gosta de andar é o Memorial da América latina, com a sua prima Marina, porque lá dá para ver a cultura de vários países e tem aquele painel enorme de Cândido Portinari – “Tiradentes”.







E Josias fica todo sorridente quando o seu pai e a sua mãe organizam um piquenique na praça Pôr do Sol. Lá tem crianças brincando, gente com violão cantando e tocando, além do melhor pôr do sol da cidade... 





Josias gosta de apreciar no MASP as famosas obras de arte de Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Van Gogh, Picasso, e, ali olhando Monet, Josias rema numa canoa francesa e atravessa uma ponte japonesa. 
Ele também não deixa de se encantar com as meninas de Renoir - tudo “Rosa e Azul”.


E no Butantã... Tem tanta cobra. Josias ama ir ao Butantã!




Um dia levou o avô Bento Maria para ver as cobras de lá. Sabe o que ele falou? Esnobou!
– Ah, que sem graça... Cobra no tanque... Vamos ao rio pescar que você vai ver o que é cobra. Sucuri passa do lado do barco...






E no zoológico. Que lugar bonito! Todo mundo gosta de ir lá para ver os bichos. Mas o vô já foi logo falando:
– Ih, bicho preso... Bonito é bicho na mata, na natureza. Quer ficar de boca aberta, é só dar uma passeada no Pantanal. Lá tem jacaré pra mais de cinco metros no rio e onça brava na mata! Eu já te contei a história de quando eu enfrentei uma onça?
Sabe, é que o avô se sente meio apertado em São Paulo...






Tanto lugar para ver, para brincar! E para comer?  A deliciosa macarronada das cantinas do bairro do Bixiga. E o sanduíche de mortadela e o pastel de bacalhau que você encontra no Mercadão Municipal?








Josias também acha genial quando acontece em São Paulo a tão famosa Bienal, porque ele gosta de livros. Na escola do Josias tem umas árvores, e ele gosta de subir nos galhos grossos do pé de abacate para brincar e também para ler os livros que pega na biblioteca.
Sem falar na Pinacoteca, no Museu do Futebol, no Museu de Ciências, do Café, da Imagem e do Som, do Imigrante... É tanto lugar incrível que fica quase impossível visitar tudo o que se quer.
Mas Josias tenta... Porque é o que faz São Paulo valer a pena! É como uma floresta de pedra, como eu já disse, com seus encantos.





Quando Josias caminha pela Avenida Paulista – que bonita! –, ele até esfrega os olhos. Porque vai olhando para os prédios, e, de repente, eles vão virando árvores gigantescas, e o fluxo dos carros, ele imagina que é o curso do rio... E vai viajando...
Disso é que Josias mais gosta! Enquanto não viaja para junto do avô, Josias viaja nos livros, nas lembranças, na imaginação...